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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A música do século XXI... Lana Del Rey - Burning Desire

A democracia é uma chatice, dr. Passos

Expresso Online - 02-09-2013

O Dr. Passos anda muito incomodado com o Tribunal Constitucional que lhe veta algumas das medidas que quer tomar. Diz o dr. Passos que o problema não é da Constituição, mas da interpretação que os juizes do Tribunal Constitucional fazem da Constituição.

Logo, acrescenta o preclaro dr. Passos, o que é necessário é bom senso para interpretar a Constituição, passando assim claramente a mensagem de que os atuais juízes do TC estão desprovidos do tal bom senso que o dr. Passos apreciaria.

O dr. Passos, que não é menos que o Prof. Cavaco, encontrou a sua força de bloqueio. Apesar de ter renovado a composição do TC, este insiste em não aprovar medidas que a Constituição não contempla.

Talvez o problema não seja, portanto, da composição do TC ou do bom senso dos juízes. Talvez o problema seja mesmo o Governo propor medidas que vão contra o texto constitucional.

É claro que os apoiantes do dr. Passos dizem que se vivem tempos excepcionais, pelo que os juízes do TC deviam interpretar a Constituição à luz desses tempos excepcionais, aprovando tudo o que o Governo mandar para apreciação.

A esses só se pode dizer que uma Constituição, que é interpretada de acordo com a espuma dos dias, não é uma Constituição, é um passador ao serviço de tudo o que o Governo quiser fazer. Então será melhor acabar com o Tribunal Constitucional e com a Constituição.

É verdade que todas as ditaduras começam por suspender os direitos constitucionais. Mas como vivemos tempos excepcionais, tudo se justifica, à luz do dr. Passos e dos seus apoiantes. Não teríamos uma ditadura pura e dura, mas uma coisa em forma de assim, como diria Alexandre O'Neill. E o país lançava-se finalmente ao progresso e ao futuro, que é o que todos queremos. Mas com a falta de bom senso dos juízes do TC, como é evidente, não vamos lá.

domingo, 15 de setembro de 2013

Rock In Rio 2013 (Brasil) - Ao Vivo - Streaming

O melhor Bolo de Chocolate do Mundo e Arredores


Ingredientes

  • 400 g de curgete descascada
  • 100 g de chocolate negro partido em pedaços pequenos
  • 80 g de manteiga derretida
  • 200 g de açúcar
  • 200 g de farinha
  • 1 colher de chá de fermento para bolos
  • 40 g de cacau em pó
  • 70 g de iogurte natural
  • 1 ovo

Preparação

  1. Pré aquecer o forno a 180º e untar e polvilhar uma forma redonda sem buraco (pode ser quadrada/rectangular também).
  2. Colocar a curgete no copo e programar 2 seg. velocidade 5. Baixar os resíduos com uma espátula e juntar o ovo, o iogurte e a manteiga derretida. Programar 10 seg veloc. 3. Juntar o fermento, o cacau e o açúcar e programar mais 10 seg veloc.3. Juntar 100 g de farinha e programar mais 10 seg. veloc. 3. Juntar as restantes 100 g de farinha e programar mais 10 seg. veloc. 3. Juntar os pedacinhos de chocolate e envolver com a espátula.
  3. Colocar o preparado na forma reservada e levar ao forno durante cerca de 40 minutos. Desligar o forno e desenformar quando estiver morno.

Este bolo é extremamente húmido e fantástico de comer morno porque os pedaços de chocolate estão líquidos dentro do bolo... É maravilhoso comido com uma bola de gelado de baunilha e uma bela caneca de chá...

Um verdadeiro pecado da gula...

Hoje é domingo!


Peço perdão a quem não entenda, A culpa é só minha...

Chamar milagres às coincidencias, às circunstancias, aos acasos positivos ou negativos, verdadeiros ou encenados, aos muitos milhares de acontecimentos que o movimento terreno provoca , que ainda não conheçamos,porque não foram provados cientificamente, ou por não existirem dessa forma, não dá direito a ninguém, singular ou colectivo, Nação ou povo , seja qual for a razão ou filosofia invocadas, de os interpretar leviana e criminosamente em seu proveito , explorando o medo que o oculto possa causar, para explorar, excravizar, prender, subjugar ou matar em seu nome.
Desde que há homem no mundo que existe maldade, não conheço outra que mais ódio e morte tenha causado à nossa Natureza. (Guerras e leis em nome de Deus para gaudio dos piores homens do mundo é o que mais há e ninguém contesta pacificamente)

Deus não tem nada a ver com isto. Garanto eu!

Que todos os dias vou à missa natural , onde se pode rezar de pé, obedecendo a Deus, tal como ele se nos apresenta!

Poema de Fernando Pessoa sobre Deus?

[...] Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?

Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,

E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Live... Credence Clearwater Revival - John Fogerty Premonition

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A entrevista a Nuno Crato

Como se pode ver no vídeo seguinte, o cheque ensino ou o apoio financeiro directo às famílias é há muito uma realidade em países que procuram novos caminhos. Como os Estados Unidos e a Suécia, para não falar na Holanda onde 70% das escolas são privadas.

Por aqui prefere-se um ministério dos professores onde a discussão se trava à volta das carreiras, dos salários e dos direitos. Uma escola centralizada e sindicalizada bem ao jeito dos países onde tudo ruiu: Ex- URSS, Cuba, Coreia do Norte...

A semana... em Cartoons!












Fonte: HenriCartoon

A música do século XXI... Fun. - Carry On

Poderosos interesses incendeiam o país

Incêndios

Este verão, mais uma vez, o país arde com incêndios florestais que continuam a destruir vidas humanas, patrimónios (biológico e particular) e milhões de euros no seu combate. Só neste Agosto, em incêndios florestais, já morreram 7 bombeiros e centenas de pessoas ficaram feridas sendo esta a principal causa de morte dos bombeiros em Portugal (106 mortes desde 1980).

Nos media as principais causas apontadas estão normalmente relacionados com as condições meteorológicas (mudança do vento, altas temperaturas, etc) ou atitudes criminosas com o chamado “fogo posto”. Na realidade muitos factores contribuem para potenciar o risco de incêndios florestais em Portugal (clima, monocultura intensiva de espécies arbóreas não naturais, relevo em algumas zonas, etc) mas isso implica que nunca seremos capazes de evitar significativamente a frequência e sobretudo a dimensão desta tragédia no nosso país?

Todos os anos há um aparente unanimismo de todos os quadrantes sociais, políticos, económicos em torno da necessidade de “limpar as florestas” que tanto os bombeiros pedem mas depois nada ou quase nada muda significativamente nesta área e o “tiro” é sempre dado ao lado (por exemplo nos muitos milhões que se investem sobretudo nas empresas privadas de combate aéreo). Assim “queimam-se” dezenas de milhões de euros (só este ano mais de 70 milhões de euros), criam-se e extinguem-se entidades como a Agência para a Prevenção de Incêndios Florestais mas as metas definidas pelo próprio Plano Nacional de Defesa da Floresta continuam a não ser atingidas satisfatoriamente.

Quem ganha com um país a arder?

Após décadas de inércia (na limpeza das florestas), deparamo-nos regularmente com uma verdadeira “missão impossível”. Impossível de controlar e combater de uma forma eficaz, incêndios quando estes têm combustível em quantidades quase infinitas porque não se limpou preventivamente a floresta (de ramos, cascas, etc). Os bombeiros queixam-se (com razão) com falta de condições (meios técnicos, alimentação, turnos sem pausas, formação, etc) para combater incêndios incontroláveis e assim vamos perdendo pessoas e recursos insubstituíveis responsáveis por 10% das nossas exportações. Paradoxalmente há consenso em uma parte da solução (limpeza da floresta) mas todos os anos se investe muitos milhões “ao lado”. Porque será?

Limpar as florestas não é apenas viável como fundamental não apenas por causa do flagelo dos incêndios mas também para minorar outros graves problemas nacionais. Os benefícios da limpeza das florestas seriam múltiplos e significativos:

(1) reduzir a frequência e a dimensão de incêndios. Ao se retirar grande parte da biomassa seca que se encontra no solo da floresta (ramos secos, cascas,etc) diminui-se de uma forma significativa o potencial incontrolável de muitos incêndios reduzindo-se assim a destruição de muitas vidas, de patrimónios e de milhões de euros;

(2) criar milhares de empregos. Portugal poderia criar milhares de empregos através da biomassa (limpeza das florestas). Emprego não qualificado para limpar as florestas e qualificado para os técnicos necessários;

(3) aumentar a produção energética sustentável e mais ecológica. Portugal apresenta um potencial enorme na produção de energia através da biomassa florestal. Dessa forma poderíamos reduzir a nossa dependência de energias que contribuem para as alterações climáticas (combustíveis fósseis);

(4) combater a desertificação do interior. Portugal apresenta uma distribuição populacional contrastante entre o interior e o litoral o que se reflete em fortes problemas urbanísticos, de ambiente e de qualidade de vida para as populações. Este tipo de indústria energética estaria particularmente muito desenvolvida no interior do país levando para aí milhares de pessoas;

(5) tornar o preço da electricidade mais acessível. Aproveitando este recurso (biomassa) como fonte energética (complementar ou alternativa) e com todas as sinergias referidas anteriormente, possivelmente seria possível baixar significativamente o preço da energia eléctrica.

É certo que resolver os recorrentes incêndios de todo os anos não depende exclusivamente da limpeza prévia da floresta instalada. É sim condição indispensável. Seria também importante que em vez do Estado gastar todos os anos dezenas de milhões de euros no aluguer de transportes aéreos privados de combate aos incêndios (o que em parte pode explicar o chamado “fogo posto”) compre ou pelo menos adapte parte dos seus aviões e helicópteros para esse objectivo.

Mas ter-se-ia que ir mais longe, analisar e corrigir (e recusar) o excessivo recurso a um “tipo” de floresta (eucaliptos e pinheiros plantados como “caixas de fósforo” que por si só potencia a violência de inúmeros incêndios), organizar e completar o cadastro nacional para permitir atacar o problema dos milhares de minifúndios, porque não se sabe qual o seu dono e milhares de outros estão ao abandono, a implementação de uma plano nacional de nova floresta que faça regressar as espécies naturais (apoio à biodiversidade) que permitam uma floresta mais resistente a incêndios e tantas outras medidas que poderiam tirar do sufoco as populações e os bombeiros afectados pelas sucessivas vagas de incêndios nos verões em Portugal.

Inércia tão conveniente como criminosa, até quando?

O nosso país com cerca de um terço do seu território ocupado com florestas, silvicultura ou matas apresenta um enorme potencial nestas áreas. No entanto continuamos a ter uma utilização raquítica desta enorme riqueza (biomassa florestal) o que beneficia apenas mais uma vez outros poderosos grupos económicos (por exemplo os relacionados com os combustíveis fósseis: petróleo). Contraditoriamente ao não ser aproveitada positivamente esta enorme riqueza, mais cedo ou mais tarde, este potencial irá se demonstrar na sua forma destrutiva em mais incêndios descontrolados e com todas as suas consequências.

Quando se procura criminalizar alguém pelos incêndios fala-se essencialmente do ato criminoso de “fogo posto” mas os estudos demonstram que só uma minoria dos incêndios têm como causa “fogo posto” (apenas 20%) e que a maioria são resultado da negligência ou causas naturais. Quem são então os principais responsáveis? Lucra-se milhões com os incêndios, nomeadamente empresas privadas (dirigidas por empresários próximos dos partidos que se têm alternado no poder em Portugal há mais de 30 anos) de combate aéreo ou fábricas de celulose e por isso teremos sempre lágrimas de crocodilo face a esta tragédia nacional. Mas o que décadas de morte e destruição nos demonstram cada vez mais é assustadora influência que estes interesses conseguem exercer sobre o poder político nacional. Diferentes governos que apesar das promessas no final de cada verão, mantêm uma inércia que tem tanto de conveniente para meia dúzia de poderosos, como de criminosa face às vidas e património destruídas. Até quando?

André Pestana (Biólogo)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Os professores


Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade. A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito

... Ver mais de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise.

Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo. Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes. Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.

Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto. As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada.

Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se

Valter Hugo Mãe in Jornal de Letras, 19-09-2012

domingo, 8 de setembro de 2013

Bombeiros portugueses...


«É impossível ir ao mar em Setembro sem pensar nos bombeiros portugueses. Não só nos que morreram e ficaram feridos como em todos os que arriscam a vida.

Não consigo imaginar o que é arriscar a morte para ajudar e salvar os outros: a vida dos outros, a saúde dos outros, as casas dos outros. Todos os bombeiros que morreram e que foram feridos - e todos aqueles que hão-de morrer e ser feridos estariam de boa saúde se tivessem agido como todos os seres humanos e pensado, acima de tudo, na própria segurança. Isto não é egoísmo - é apenas agir segundo os interesses de cada um. É assim que sobrevivemos. A autopreservação está-nos na massa do sangue.

Os bombeiros escolhem lutar, antes de lutarem contra qualquer incêndio, contra o instinto de autopreservação que os defenderia. Para proteger a quase totalidade de cidadãos que segue sensatamente esse mesmo instinto, os bombeiros ultrapassam-no. Ao arriscar a vida, agem irracionalmente: tornam-se altruístas heroicos.

Se não consigo imaginar a generosidade louca dos bombeiros posso recorrer ao testemunho dos próprios bombeiros, sempre perto de nós. O que é inimaginável, incompreensível é a ingratidão do Estado português. E até da população.

Os bombeiros têm de ser tratados e pagos como heróis públicos. Já que arriscam as vidas para salvar as nossas, têm de viver melhor do que nós e com constante reconhecimento.

Mete nojo a nossa psicopática indiferença: elas e eles são melhores do que nós.»

Fonte: Miguel Esteves Cardoso, Os Heróis públicos, Público, 04-09-2013

Live... The A.R.M.S. Concert (1983)

sábado, 7 de setembro de 2013

A decisão é da família e não do estado

Assertivo, o Luís Moreira do BandaLarga:

A liberdade causa sempre polémica. Escolher entres as escolas públicas e as escolas privadas é uma decisão das famílias e não do estado. Questionado sobre se as famílias podem optar por uma escola privada, mesmo tendo vaga numa pública na mesma localidade, Nuno Crato disse: "O princípio da concorrência e o princípio da escolha é exactamente esse". 
Não é compreensível que se esteja contra este direito a não ser por razões ideológicas que nada têm a ver com o interesse dos alunos. Os sindicatos perdem força, o estado perde o peso esmagador que tudo abafa, mas as famílias são mais livres e os alunos ganham em oportunidades. Os maus professores estão contra mas os bons estarão a favor. Avaliação e mérito contra o igualitarismo e a mediocridade. 
Pais vão poder escolher ! Quem poderá estar contra? A que título é que os sindicalistas comunistas e as meninas burocratas do ME empurram os alunos pobres para más escolas? Ninguém pergunta se uma escola é pública ou privada. Pergunta se é boa. Tudo o resto, como lucros e impostos, não têm a ver com a questão fundamental.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A semana... em Cartoons!






















Fonte: HenriCartoon

A Arte Socialista da hipocrisia…


“…o país gastou demasiado tempo a falar da limitação de mandatos quando a decisão doTribunal Constitucional era quase que óbvia.”

Há personalidades que se revestem de uma candura e inocência… Esse tempo foi gasto porque o PS assim o quis! Porque, eleitoralmente, lhe dava jeito.

Se achavam essa clarificação importante e necessária, porque chumbaram os socialistas – em Julho de 2012 (há mais de um ano, portanto) - um projecto de clarificação da lei?!

E depois andarem com estes “lamentos”: é a “preocupação e a incerteza que o processo provocou nos eleitores” (coitadinho do eleitor...); é o “lamento” pela imagem negativa que o processo deu do “funcionamento da democracia”... não há pachorra para tanta hipocrisia!

Na comunicação social, também muito se falou - e “lamentou” - em torno "dos danos" que o arrastar desta indecisão até "às portas das eleições", provocou “à democracia”.

Infelizmente (não inexplicavelmente...), os Srs. Jornalistas preferiram ocultar dos cidadãos - e tanto se falou do assunto ao longo do último ano -, que tal situação se deveu apenas à vontade dos socialistas (essa clarificação só seria possível se existissemdois terços de deputados que aprovassem essa proposta).

Enfim, nas redacções, business as usual…

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Bloco já não é bom como o milho


Expresso Online (02-09-2013)

Na última década e meia, o Bloco foi a gaja boa do pedaço, o mulherão mediático que toda a gente queria mimar com piropos, que clube tão sexy, sei lá. Esta confederação radical apresentava uma agenda de costumes que encaixava no ambiente de Lisboa e tinha figuras que passavam bem na TV. Louçã e demais vigários de cabeção vermelho eram bons marketeiros, quais metralhadoras de frases de efeito que faziam as delícias do repórter preguiçoso. Para sublinhar esta sensualidade política, recorde-se ainda que a agremiação tinha miúdas giras numa versão óbvia e felliniana (Joana Amaral Dias) e numa versão ínvia e timburtoniana (Ana Drago).

Entretanto, as coisas mudaram. A agenda fracturante esgotou o espaço da razoabilidade. Resultado? Os bloquistas têm de esticar a corda até ao absurdo, até ao humor involuntário. Por exemplo, já vi gente a namorar um "estudo científico" que garante que os gays são melhores pais do que os heterossexuais. Que estudo tão científico, tão progressista, tão sexy. Ora, a ideia de proibir legalmente os piropos encaixa como uma luva neste fim de linha simultaneamente cómico e totalitário. Sim, à primeira vista, isto parece piada. Proibir piropos? Se ouvir um pedreiro derramar um "és tão boa" sobre uma cidadã curvilínea, um polícia deve autuar o pedreiro de imediato? E o pedreiro loquaz paga a multa com multibanco? Mas debaixo deste humor involuntário encontramos algo mais sério: a velha pulsão totalitária dos comunismos que fundaram o Bloco, o desejo de controlar todos os aspectos da vida quotidiana, de padronizar todos os indivíduos segundo uma cartilha, de extirpar todas as pequenas imperfeições que não seguem essa cartilha.

Por outras palavras, o Bloco já não é bom como o milho. É uma velha com buço. Sem a agenda sexy, sem marketeiros e sem fellinianas, este partido ostenta um buço igualzinho ao do PCP. Sim, claro, é um buço muito progressista, muito de esquerda, sei lá, mas não deixa de ser um buço. E, buço por buço, prefiro o da Odete Santos.

domingo, 1 de setembro de 2013

A reforma do Estado: cortar ou mudar procedimentos?

Artigo de opinião do Paulo Guinote, ontem no Público:

A alegada “reforma do Estado” é uma piedosa mentira de algo que apenas pretende “cortar o Estado”, desde que fique o Estado que assegure a manutenção de uma redistribuição invertida da carga fiscal, ou seja, tirando aos muitos que ganham pouco para assegurar a permanência dos negócios dos poucos que ganham muito.

Uma “reforma do Estado” a sério deve visar, em primeiro lugar, que o Estado se torna mais eficaz nas suas funções, que as desempenha melhor e, dessa forma, ajuda a ganhos globais de produtividade na economia privada mas também pública.

A “reforma do Estado” deve ser uma reforma dos procedimentos ineficazes e das zonas cinzentas que propiciam fenómenos de pequena ou grande corrupção. A “reforma do Estado” passa pela qualificação dos serviços que o Estado presta, da justiça à Saúde, da Educação à Segurança.

Um Estado eficaz não necessita de ser mais “barato” se conseguir, pela sua acção, dinamizar a sociedade e a economia que, desse modo, produzem mais riqueza. Deve ser um Estado com funções de regulação transparente e de promoção de uma concorrência real, em vez de anquilosar na defesa de interesses particulares (públicos ou privados), de monopólios ou oligopólios de facto (quando as privatizações apenas transferem o domínio do mercado do operador público para um privado) ou em práticas de corrupção, nepotismo e tráfico de influências (quando a função pública e o exercício de altos cargos administrativos e políticos é encarado como mera transição ou trampolim para funções privadas em sectores antes tutelados ou acerca dos quais se ganhou uma vantagem por via das redes de conhecimentos que se estabe4leceram).

A “reforma do Estado” não se pode traduzir em cortar aqui para dar ali, quando se mantêm procedimentos de evidente distorção da concorrência, protegendo nichos de mercado, não apenas nos sectores económicos mais óbvios mas nos próprios serviços de tipo social que o Estado presta.

A “reforma do Estado” que interessaria fazer, mas não interessa aos sucessivos “reformadores”, é aquela que torna a administração pública como um corpo, ou conjunto de corpos profissionais, independente de pressões, caracterizado pela excelência e merecedor da confiança da população (e não necessariamente da opinião publicada). Uma administração pública eficaz, com procedimentos transparentes e céleres, em que o exercício das funções públicas se rege por princípios de independência e deontologia profissional e de serviço público é o que menos interessa aos actuais “reformadores” que apenas estão preocupados com duas coisas: domesticar o funcionalismo aos interesses particulares dos senhores do momento e assegurar que o processo de escolha das chefias garantirá a manutenção dos circuitos estabelecidos de defesa de interesses particulares.

Quando se aponta o “corporativismo” de algum funcionalismo público, o que se pretende em muitos casos é demonizar o último obstáculo à tomada do Estado pelos interesses particulares de grupos privados. O caso da Educação e da longa guerra do Bloco Central com os professores é apenas o episódio mais longo desse processo de tentativa de pseudo-”reforma do Estado”.

A “reforma do Estado” deve passar em primeiro lugar, pela alteração dos procedimentos, e isso não significa mantê-los com outra designação, desde que submetidos a uma estrutura hierárquica cujo topo obedece a lógicas partidárias e não ao efectivo interesse nacional.

Porque o aparelho de administração pública e o funcionalismo é que devem ser a primeira e maior garantia da defesa independente desse interesse, não os ocasionais ocupantes das cadeiras de um poder político submetido a lógicas de clique e corporizado por figurantes de segunda ordem.

Live... The Corrs - Unplugged