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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Estado da Educação (2015) - Conselho Nacional de Educação

A publicação Estado da Educação 2015 surge na continuidade dos relatórios anuais que o Conselho Nacional de Educação publica desde 2010.

À semelhança das edições anteriores, o Estado da Educação 2015 apresenta indicadores de referência do sistema educativo que permitem caracterizar a rede escolar, a população escolar e a oferta educativa e formativa, o corpo docente, a avaliação e os resultados escolares e o financiamento público da educação, dos diferentes níveis e modalidades de ensino.

O relatório conta igualmente com a introdução, assinada pelo Presidente do Conselho Nacional de Educação, Professor David Justino, e termina com três artigos de investigação.


Estado da Educação - 2015

domingo, 25 de setembro de 2016

Dropbox: Uma ferramenta sempre útil!

Hoje em dia, muitos de nós, passam grande parte do tempo a saltar entre máquinas.

No trabalho têm um equipamento, em casa têm outro e por vezes ainda acrescentamos um portátil e/ou um smartphone, um tablet ao rol de desktops que utilizamos!


Não é fácil gerir os conteúdos comuns em cada uma das máquinas.
Eu pessoalmente já tive imensas dificuldades em encontrar o ficheiro mais actualizado na pen, disco externo ou nos próprios computadores!

Já há alguns anos, descobri esta maravilhosa ferramenta que passei a utilizar e não abandonei nunca mais! Deixei de ter esses problemas e muitos outros, como por exemplo, virus nas pens, que deixei completamente de utilizar, etc.

Na minha opinião, trata-se de uma ferramenta essencial, sem a qual não conseguiria passar!

Perguntamos então, mas como isso é feito?

Dropbox é um programa que usa o conceito de Computação nas Nuvens (cloud computing), que é um modelo de computação em que os dados, ficheiros e aplicações residem em servidores físicos ou virtuais, acessíveis por meio de uma rede em qualquer dispositivo compatível. No caso do Dropbox o disco virtual oferece 2GB de espaço e também tem a opção de upgrade podendo esse espaço ser obtido, pagando, ou então fazendo convites.

O ideal seria termos quem fizesse essa gestão por nós, isto é, termos online um serviço que esteja obcecado pelo nosso trabalho, que grave tudo e seja uma cópia fiel de uma determinada área de trabalho local.

O Dropbox é a solução. Não só entre várias máquinas como também entre vários sistemas operativos.

Hoje com mais de cinco anos de experiência, já não consigo ter uma máquina sem esta pérola!

O Dropbox é um sistema multi-plataforma (funciona em Windows, Linux, Mac OS, Android, iOS e Windows Phone) e com ele você pode resolver todos estes problemas.

Mas como funciona isso na prática?

Esta cópia temporal permite que os ficheiros mesmo que sejam apagados sejam recuperados alguns dias depois, se necessário; o Dropbox guarda essas alterações para que possa recuperar algo se for apagado por engano.
Mas onde ficam guardados os meus ficheiros?


Sim é um pergunta importante, pois quem aposta neste tipo de serviço pretende estabilidade, segurança e fiabilidade, mas todos esses requisitos foram acautelados pela equipa do Dropbox. Todos os ficheiros existentes nos servidores Dropbox são enviados por SSL, encriptados com AES-256 e guardados nos seus servidores.

Mas vamos a um exemplo prático e real:


Eu tenho na minha Escola o meu computador onde instalei o Dropbox. Em casa no meu portátil tenho o mesmo serviço instalado e o mesmo acontece no meu servidor. Sempre que preciso de ter à mão algum documento, palavra-passe ou ficheiro que seja necessário sempre que estou frente a um computador, arrasto-o para dentro da pasta Documents que existe dentro da pasta Dropbox.

Logo que me ligo, o serviço Dropbox sincroniza-se com o servidor do Dropbox e transfere para as pastas existentes no computador o que existe de novo na conta, assim posso de imediato ter acesso ao documento que arrastei na escola para dentro da tal pasta.

Caso esteja nalgum lugar e precise de algo que está na minha conta Dropbox e tenha um PC à mão, entro no serviço online, com o meu username e password e com isso acesso ao documento em qualquer ponto do planeta, desde que tenha um computador com acesso à net.

Posso também partilhar imagens, fotografias, ficheiros de áudio e de qualquer outro tipo através da pasta Public, que me atribui uma link público para partilhar com o mundo.

Para começar vá ao site do


e registe-se.

Após estar registado faça o download da aplicação Dropbox. Esta aplicação colocará na sua máquina uma pasta normal. Dentro desta, serão criadas outras todas farão a ponte entre as máquinas e tudo o que lá colocar será sincronizado. Primeiro passa pelo serviço que criará uma cópia temporal e quando uma outra máquina se sincronizar, receberá os ficheiros que deixou na primeira máquina.


Deixo aqui uma publicação que o(a) ajudará nos primeiros passos com a sua Dropbox:



Primeiros passos com a Dropbox

Nos próximos dias publicarei mais algumas dicas importantes, que ajudarão a tirar melhor partido das funcionalidades da Dropbox.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Crianças até aos 14 anos não devem fazer TPC's

Os trabalhos de casa são tarefas didáticas que completam a aprendizagem obtida na escola. Mas serão mesmo necessários?


Justin Coulson é um dos mais aclamados oradores, autores e pesquisadores australianos. Dedica-se especialmente à família e aos mais novos e no seu mais recente artigo assinado no Courier Mail revela os motivos pelos quais as crianças até aos 14 anos não devem fazer os trabalhos de casa (TPCs):

  • São um fardo para os professores – além de terem que preparar os exercícios para as crianças fazerem em casa, os professores têm ainda que gerir o tempo das aulas para explica-los e, depois, para corrigi-los.

  • Geram stress nos mais novos – depois de um dia repleto de aulas, a obrigação de fazer os trabalhos de casa pode causar stress às crianças, principalmente àquelas que não compreenderam a matéria na aula e que não têm apoio em casa para os exercícios. Em 2012, salienta a publicação, foi revelado um estudo que relaciona diretamente os TPCs e o aumento dos níveis de ansiedade, depressão e raiva entre as crianças.

  • Reduz o tempo que os pais têm para os filhos – embora esteja com eles a realizar os exercícios, os pais acabam por perder momentos de lazer com as crianças. Os trabalhos de casa acabam por ocupar o pouco tempo livre que as crianças têm antes de ir para a cama.

  • Não inspiram nem estimulam a curiosidade – diz o Courier Mail que os trabalhos de casa não melhoram a compreensão das crianças e não estimulam a vontade de aprender ou de procurar novas matérias.

  • Podem prejudicar a aprendizagem – quando a matéria não é compreendida nas aulas e não existe apoio pedagógico em casa para a realização dos exercícios, os trabalhos de casa podem ser prejudiciais e dar azo a raciocínios errados. Além disso, algumas crianças podem adotar mecanismos menos corretos (como copiar ou inventar) para completar os exercícios, acabando por ‘desaprender’.

  • Devem apostar na leitura – se os trabalhos de casa podem ter consequências adversas na aprendizagem, a leitura não. Diz o especialista que as crianças devem ler, ser estimuladas a fazê-lo e a criar o hábito diário de leitura. Além de dar prazer – pois revela sabedoria –, a leitura estimula o cérebro.

Depois dos 14 anos, além dos trabalhos de casa serem menos frequentes, os jovens adotam métodos de estudo próprios conforme as suas necessidades ou objetivos escolares.


Isto é Matemática! (1) - Reinventar a roda

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Aí estão os novos alunos!

Ninguém ignora que a fonte da vitalidade e do crescimento do ensino superior nos países mais desenvolvidos da Europa se radica na busca de novos públicos.

A procura de novos aprendentes tem encontrado justificação no princípio de que o ensino superior é um dos recursos fundamentais e não esgotáveis para promover o bem-estar, a segurança pessoal e social dos povos e das nações, no pressuposto de que o capital intelectual irá substituir o capital financeiro e o capital físico, tornando-se, por isso, a pedra angular para a prosperidade e o desenvolvimento.

Interessa, pois, registar também a nossa convicção de que existem novos públicos que alimentam e se querem servir do ensino superior, de que existem milhares de cidadãos que se dirigem às instituições de ensino superior conscientes da necessidade da aprendizagem permanente, já que a sociedade do conhecimento gera a desactualização permanente.

Esses novos públicos são constituídos por adultos integrados na força do trabalho, que interiorizaram o princípio da aprendizagem ao longo da vida, procurando, por essa via, novos saberes que reforcem a qualidade do exercício da sua vida profissional, lhes abram novos caminhos profissionais, ou diferentes percursos no seu processo de crescimento pessoal. Muitos outros procuram as instituições de ensino superior numa idade ainda socialmente útil, mas em que os processos de reforma os encostaram à desocupação precoce, não compaginável com a vitalidade que ainda revelam.

Incompreensivelmente, são as entidades privadas quem primeiro despertaram para esta realidade, enredando-se as instituições públicas em processos de discussão endogâmica que certamente lhes permitem purificar, ao limite, a árvore, mas que as impedem de se lançar na exploração do manancial oferecido pela floresta.

Claro que estes novos públicos obrigam a mudanças radicais nas rotinas organizacionais das instituições. Mudanças que abarcam sectores tão diferenciados quanto os que se reportam aos horários de funcionamento, ou ao atendimento e entendimento pessoal e personalizado dos novos alunos. Mudanças que envolvem a criação de bibliotecas virtuais, plataformas de ensino a distância ou a implementação de procedimentos de comunicação próximos do que poderíamos designar por "pedagogia digital".

Estes novos paradigmas encerram também a necessidade, inadiável, de exigir uma clarificação da designação das titulações e dos diplomas em vigor, assunto sobre o qual urge a busca de um consenso, pelo menos entre os países que integram a Comunidade Europeia.

Pior do que o enfrentar dessa situação, é o imobilismo das próprias instituições de ensino superior em aceitar estes novos desafios, em incorporar a mudança, em inflectir comportamentos que visem aproximar o investimento pessoal de quem aí trabalha das necessidades da sociedade do futuro. E também o atavismo dos governos que preferem deixar nas regras concorrenciais do mercado a sobrevivência das instituições, em vez de, num esforço conjunto, desenharem com essas instituições os novos percursos e o sentido da mudança. Designadamente, sobre a necessidade de compreender que se a última metade do século XX correspondeu à necessidade de expansão da rede do pré-escolar, as primeiras décadas do século XXI exigem um considerável alargamento da rede de apoio aos públicos seniores.

Por isso nos interrogamos se estamos preparados para o aparente caos que já nos rodeia e que nos obrigará a mudar uma boa parte das nossas representações sobre o que é um aluno do ensino superior e sobre os métodos e os processos de os formar.



domingo, 18 de setembro de 2016

Fui transferido do colégio para a escola pública

Começou o ano lectivo e há cerca de 10000 alunos que foram transferidos do ensino privado para o público, depois dos cortes do governo no número de turmas financiadas pelo Estado em escolas particulares. São dez mil alunos que vão para o desconhecido e que serão largados na selva que é o sistema de ensino público, cheio de pessoas pobres e mal formadas. Tive acesso ao diário do Bernardo, 14 anos, que viu a sua vida sofrer uma mudança radical ao ser transferido para um desses ninhos de piolhos e tuberculose.

O relato que se segue pode ferir a suscetibilidade dos leitores mais sensíveis.



9:00h - Primeira aula e desde logo notei algo de muito estranho quando a professora fez a chamada: todos os meus colegas têm apenas dois nomes. Aliás, eu ia levando falta por não ter respondido «presente» quando a senhora professora chamou por Bernardo de Melo! Só respondo quando usam dois apelidos, Bernardo Campos de Melo! Notei, também, que os poucos que eram chamados com três nomes era porque tinham dois nomes próprios: Cátia Vanessa, Sandro Miguel, Andreia Patrícia. Estranhei, não o facto de terem dois nomes próprios, mas o facto de nenhum deles ser Maria.

9:30h - Cada um fez uma pequena apresentação sobre si e um dos colegas que me chamou logo à atenção foi o Wilson! Nunca tinha visto ninguém tão bronzeado! Aquilo só pode ser solário duas vezes por dia o que me leva a crer que os pais dele devem ter imenso dinheiro e ele tem um SPA em casa. E isso leva-me também a querer um para mim.
Note to self: falar com o papá para comprar um solário para colocar ao lado do jacuzzi.

9:45h - Outra colega que estranhei foi a Vânia que disse que depois das aulas trabalhava num café. Não percebi o conceito e peguei logo no iPhone Gold para pesquisar no Google e, ao que parece, existem mesmo pessoas que trabalham e estudam ao mesmo tempo! Até existe o termo que desconhecia por completo «trabalhador-estudante». Dizem que é para pagar os estudos e terem dinheiro para viver. Coitada, os pais dela devem ser mesmo forretas ou talvez tenham morrido e alguma tia lhe terá ficado com a herança e as casas todas.

10:30h - Pedi uma caneta emprestada ao Pedro Miguel (lá está mais um com segundo nome que não é Maria) e reparei que o estojo dele era muito giro. Perguntei-lhe onde tinha comprado aquele estojo, assim com ar vintage, e ele disse-me que não se lembrava, isto porque o tinha sido comprado no 5º ano. Diga, Pedro Miguel? Não percebi e perguntei-lhe «Como assim? Reutilizas estojos de um ano para o outro? Não compras sempre mochila, estojo e todo o material novo?» e ele respondeu-me «Não, porque eu estou no SASE.». Senti-me envergonhado por não ter percebido logo que ele fazia parte de um desses clubes de colecionadores que só utilizam artigos raros e antiquíssimos.
Note to self: pedir dinheiro ao papá para a joia de inscrição no SASE.

13:00h - Almocei na cantina e ao início fiquei satisfeito por ser arroz de pato, mas depois, percebi que era arroz de frango. Já que assim era perguntei se, ao menos, me podiam servir só com a parte escura do frango, já que o peito é muito seco. A senhora Custódia, da cantina, riu-se e perguntou se eu queria sobremesa. Perguntei o que havia e ela respondeu «Gelatina de morango, gelatina de ananás e gelatina de tutti frutti.» Já me tinham falado de praxes, mas não sabia que eram assim tão humilhantes. Esperemos que sejam só nos primeiros dias e que para a semana já haja pato e crumble de maça com gelado caseiro.

14:00h - Alguns colegas, como sabem que venho de um meio diferente e mais civilizado, convidaram-me para integrar uma lista para concorrer à associação de estudantes. Aceitei desde logo e perguntei quem eram os outros jotas para formarmos um grupo forte e com experiência política. Disseram-me que o único jota era o JP e que era ele que sacava as músicas do Anselmo Ralph para passar durante a campanha.

15:40h - No intervalo grande gerou-se uma discussão e dois alunos começaram a agredir-se. Um deles era claramente mais forte do que o outro (deve fazer parte da equipa de rugby). O outro rapaz ficou maltratado e disse-lhe «Vou chamar o meu pai e o meu tio!» o que me leva a pensar que deve ser filho de alguém importante e que os seus familiares virão cá à escola apresentar queixa. Os outros alunos que estavam a assistir a tudo bem que disseram «Agora é que vai ser, vem a família toda do Igor e vai ser só xinadas e fuscas na escola!».
Note to self: perguntar ao papá se conhece os Xinadas e Fuscas e se é uma família brasonada.

16:00h - Chego à aula de educação física e qual não é o meu espanto quando não vejo onde estão os estábulos dos cavalos para o hipismo! Nem campo de ténis e, afinal, não havia campo de rugby! Resta-me esperar que as obras que estão a fazer atrás do pavilhão sejam para construir um campo de golfe.

16:10h - Notei que alguns dos meus colegas não tinham roupa de marca. Esta altura do Verão às vezes é complicada porque as empregadas vão de férias e não há quem nos lave e passe a roupa e temos de usar aquela de andar por casa, tipo Zara e Springfield, que só usamos para dormir.

17:00h - Fui à aula de Educação Moral e Religiosa e finalmente uma professora que me pareceu competente. Freira, como as que tão bem me educaram no colégio do 1º ciclo, só para rapazes, onde andei. No fim, cantámos algumas das músicas de que mais gosto «No rabo é pecado.» e «Jesus melhor do que Phelps.».

17:50h - Um dos meus colegas atendeu o telemóvel no meio de uma aula e fiquei chocado! Já não há respeito! «Pai, vou sair daqui a bocado, vens buscar-me?», perguntou ele! A tratar o pai por tu? Será que também o faz com a mãe? E será que os pais também o tratam por tu? Começo a perceber que quando se dizia que as pessoas do ensino público não têm a mesma educação nem princípios é, de facto, verdade.

18:00h - Ao sair da escola, vejo três rapazes na minha direção e percebi logo que deviam ser irmãos do Wilson, pois estavam tão ou mais bronzeados do que ele. Fiquei pasmado quando me pediram dinheiro! «Como é que pessoas que têm solários em casa precisam de dinheiro emprestado», pensei. Mas, depois, percebi que era um assalto! Estavam a assaltar-me mesmo à porta da escola! Os mitos que se contavam no colégio afinal são mesmo verdade. A vida é injusta, se eu andasse por aí, como os irmãos do Wilson, a roubar dinheiro aos outros, também tinha possibilidades de ter um SPA com solário na minha moradia.

Arrepiante. Ao pé deste diário, o da Anne Frank é uma história para crianças. Resta-me deixar o apelo a todos para que partilhem este texto para que todos possam ver a desumanidade a que estão a ser sujeitados milhares de alunos que foram obrigados a sair da sua escola privada para esta zona de guerra que é a escola pública.

Links úteis: O Bichinho do Saber

O Prof-Folio procura divulgar projetos interessantes e que realmente sejam úteis no dia-a-dia, na realização das várias tarefas.

Trazemos hoje aqui um desses projetos, que já conhecíamos há algum tempo e que se tem vindo a desenvolver:





Segundo informação da página, O Bichinho do Saber pretende ser uma ferramenta essencial para toda a comunidade educativa: alunos, professores, explicadores, pais e público geral.

"A nossa grande missão é contribuir para o sucesso escolar", é a máxima deste sítio na Internet.

No site encontram-se resumos das matérias escolares, exercícios, fichas, artigos, notícias sobre o mundo da Educação em Portugal, sugestões de leitura e de onde ir, desafios, jogos e muito mais.

Em nossa opinião falta informação relativa ao 1º Ciclo, ou seja, neste momento, o mesmo, apenas abrange o 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Regresso às aulas: Dê uma nova vida aos livros escolares usados

O ano lectivo acabou de se iniciar e esta é a altura ideal para começar a refletir relativamente à aquisição dos livros escolares.
Já sabe quanto gastou só em manuais novos?
Se o seu filho for frequentar o 7º ano de escolaridade, por exemplo, desembolsou cerca de 258 euros para os manuais!
Mas existem soluções que poderão ajudar a minimizar esta factura. A troca e a compra/venda de livros dos anos anteriores poderão ser uma boa opção.

Este ano o preço dos manuais mantém-se congelado, depois do aumento de 10% registado durante os últimos 4 anos. Mas a factura que as famílias terão que suportar continua a ser elevada.
Segundo o preço médio dos cabazes de manuais escolares apresentado pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, o 7º ano continua a ser aquele com um custo médio mais elevado. O cabaz para este ano terá um custo médio de 258€, com 12 manuais escolares a serem necessários, sendo que alguns deles serão utilizados até ao 9º ano.
No primeiro ciclo, os preços vão desde os 25,50€ para o primeiro ano até aos 44,80€ para o 4º ano. No segundo ciclo, o preço médio do cabaz é de 131,70€, com o 5º ano a ser o mais caro.

Existem soluções?

Existem soluções que já são praticadas por muitos pais. Estas passam pela reutilização dos manuais escolares de outros alunos.
Existem alguns sites e espaços físicos espalhados pelo país que permitem que se faça uma troca gratuita de manuais escolares. O “Movimento pela reutilização dos livros escolares”, por exemplo, promove isso mesmo: a criação e divulgação de bancos de recolha e partilha gratuita de livros escolares em todo o País.

Mas existem também soluções que permitem vender e comprar esses livros a um preço bem mais apetecível. Por exemplo, através do site de classificados Usados Pplware, com uma secção exclusiva para a compra e venda de livros.
Artigo adaptado de Pplware

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Não acabem com a caligrafia: Escrever à mão, desenvolve o cérebro!

No mundo tecnológico em que vivemos, seria importante refletirmos sobre a importância da caligrafia no desenvolvimento das crianças!
A esse propósito, trago aqui um artigo publicado no site noticias.uol.com.br/, publicada originalmente no New York Times e que considero pertinente sobre este assunto.

As crianças que vivem no mundo dos teclados precisam aprender a antiquada caligrafia?
Há uma tendência a descartar a escrita à mão como uma habilidade que não é mais essencial, mesmo que os pesquisadores já tenham alertado para o fato de que aprender a escrever pode ser a chave para, bem, aprender a escrever.
E, além da conexão emocional que os adultos podem sentir com a maneira como aprendemos a escrever, existe um crescente número de pesquisas sobre o que o cérebro que se desenvolve normalmente aprende ao formar letras em uma página, sejam de forma ou cursivas.
Em um artigo publicado este ano no "The Journal of Learning Disabilities", pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionava com a atenção e com o que é chamado de habilidades de "função executiva" (como planejamento) em crianças do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem.
Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington e principal autora do estudo, contou que a evidência dessa e de outras pesquisas sugere que "escrever à mão – formando letras – envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita".
No ano passado, em um artigo no "Journal of Early Childhood Literacy", Laura Dinehart, professora associada de Educação da Primeira Infância na Universidade Internacional da Flórida, discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho acadêmico: crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores porque seu trabalho é mais agradável para os professores lerem; as que têm dificuldades com a escrita podem achar que uma parte muito grande de sua atenção está sendo consumida pela produção de letras, e assim o conteúdo sofre.

Mas podemos realmente estimular o cérebro das crianças ao ajudá-las a formar letras com suas mãos?

Em uma população de crianças pobres, diz Laura, as que possuíam boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância se deram melhor mais tarde na escola.
Ela diz que mais pesquisas são necessárias sobre a escrita nos anos pré-escolares e sobre as maneiras para ajudar crianças pequenas a desenvolver as habilidades que precisam para realizar "tarefas complexas" que exigem coordenação de processos cognitivos, motores e neuromusculares.
Esse mito de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora simplesmente está errado. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento motor, o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas
Virginia Berninger
As pessoas precisam ver as letras "nos olhos da mente" para produzi-las na página, explica ela. A imagem do cérebro mostra que a ativação dessa região é diferente em crianças que têm problemas com a caligrafia.
Escaneamentos cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede cerebral característica é ativada quando eles leem, incluindo áreas que se relacionam com processos motores. Os cientistas inferiram que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.
Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana, escaneou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia. "Seus cérebros não distinguiam as letras; elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo", conta ela.
Depois que as crianças aprenderam a escrever à mão, os padrões de ativação do cérebro em resposta às letras mostraram mais ativação daquela rede de leitura, incluindo os giros fusiformes, junto com o giro inferior frontal e regiões parietais posteriores do cérebro, que os adultos usam para processar a linguagem escrita – mesmo que as crianças ainda estivessem em um estágio muito inicial na caligrafia.
"As letras que elas produzem são muito bagunçadas e variáveis, e isso na verdade é bom para o modo como as crianças aprendem as coisas. Esse parece ser um dos grandes benefícios da escrita à mão", conta Larin James.
Especialistas em caligrafia vêm lutando com a questão de se a letra cursiva confere habilidades e benefícios especiais, além dos fornecidos pela letra de forma. Virginia cita um estudo de 2015 que sugere que, começando por volta da quarta série, as habilidades com a letra cursiva ofereciam vantagens tanto na ortografia quanto na composição, talvez porque as linhas que conectam as letras ajudem as crianças a formar palavras.
Para crianças pequenas com desenvolvimento típico, digitar as letras não parece gerar a mesma ativação do cérebro. À medida que as pessoas crescem, claro, a maioria faz a transição para a escrita em teclados. No entanto, como muitos que ensinam na universidade, eu me questiono a respeito do uso de laptops em sala de aula, mais porque me preocupo com o fato de a atenção dos alunos estar vagando do que com promover a caligrafia. Ainda assim, estudos sobre anotações feitas à mão sugerem que "alunos de faculdade que escrevem em teclados estão menos propensos a se lembrar e a saber do conteúdo do que se anotassem à mão", conta Laura Dinehart.
Virginia diz que a pesquisa sugere que crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de forma, depois, mais dois anos de aprendizado e prática de letra cursiva, começando na terceira série, e então a atenção sistemática para a digitação.
Usar um teclado, e especialmente aprender as posições das letras sem olhar para as teclas, diz ela, pode muito bem aproveitar as fibras que se intercomunicam no cérebro, já que, ao contrário da caligrafia, as crianças vão usar as duas mãos para digitar.
O que estamos defendendo é ensinar as crianças a serem escritoras híbridas. Letra de forma primeiro para a leitura – isso se transfere para o melhor reconhecimento das letras –, depois cursiva para a ortografia e a composição. Então, no final da escola primária, digitação
Virginia Berninger
Como pediatra, acho que pode ser mais um caso em que deveríamos tomar cuidado para que a atração do mundo digital não leve embora experiências significativas que podem ter impacto real no desenvolvimento rápido do cérebro das crianças.
Dominar a caligrafia, mesmo com letras bagunçadas e tudo, é uma maneira de se apropriar da escrita de maneira profunda.
"Minha pesquisa global se concentra na maneira como o aprendizado e a interação com as palavras feitas com as próprias mãos têm um efeito realmente significativo em nossa cognição", explica Larin James. "É sobre como a caligrafia muda o funcionamento do cérebro e pode alterar seu desenvolvimento."

domingo, 11 de setembro de 2016

Ensino das Ciências Experimentais no 1º Ciclo

Com o início de um novo ano letivo à porta, irei, quando considerar oportuno partilhar alguns materiais considerados úteis para o dia-a-dia do professor na sala de aula.

Tendo em conta que o ensino experimental das ciências faz parte do currículo do ensino básico, trago hoje esta publicação que poderá ser útil.

(Carregar na imagem para ver ou fazer download)

Ensino das Ciências Experimentais no 1º Ciclo

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Hablas espanhol? Então fala mais baixinho

– Que tal o Algarve, correu tudo bem? Descansaste? 

– Estava tudo óptimo, tirando a parte dos Nobitas.

– Nobitas?

– Ai mulher, vê-se bem que não tens filhos. O Nobita é um boneco animado espanhol que o meu filho via quando era pequeno.

– E o que é que o boneco tem a ver com o Algarve?

– Eu não sou preconceituosa, nem racista e até acho bem que os estranjas venham cá gastar o dinheiro, mas já não podia ouvir falar espanhol na praia. É que eles falam muito, muito alto e movimentam-se em bando. Uma pessoa fica doida com aquela algaraviada toda.

– Espanholada.

– Isso.

– Sempre ouvi dizer que os americanos eram os que falavam mais alto.

– Nem penses. Olha, os alemães, são uns santos. Estão calados que nem ratos. Deitam-se na areia, viram para um lado, viram para o outro e quando já estão quase em carne viva pegam na trouxa e vão para o hotel; os franceses também largam um bientôt e um c’est chaud e pouco mais.

– Mas diz que os franceses tomam pouco banho.

– Isso é em casa. Na praia vão ao banho, garanto-te. Outros que são danadinhos para dar à língua são os russos. Aí é pior porque a gente não dorme e não entende nada.
Olha, nem o pai morre nem a gente almoça.

– Mas já tens fome?

Fonte: Sábado

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Grandes Mestres do Conhecimento... Leonardo Fibonacci

Leonardo Fibonacci, também conhecido como Leonardo de Pisa, Leonardo Pisano ou ainda Leonardo Bigollo, nasceu em Pisa em 1170, cidade onde terá igualmente morrido no ano de 1250.

Fibonacci é atualmente apontado como o primeiro grande matemático europeu da Idade Média e considerado por alguns como o mais talentoso matemático ocidental dessa época. Ficou essencialmente identificado com duas grandiosas conquistas matemáticas: a introdução dos algarismos arábicos na Europa e a descoberta de uma sequência numérica que, após a sua morte, ficou conhecida como a Sequência de Fibonacci.

Leonardo era filho de um abastado mercador de Pisa do qual aliás derivará o seu nome (Fibonacci será a forma reduzida de filius Bonacci - filho de Bonacci - uma vez que o seu pai se chamava Guglielmo dei Bonacci). Na época, Pisa mantinha uma importante atividade comercial nos portos do Mediterrâneo e Guglielmo atuava como representante dos comerciantes da sua região, em Bugia, importante porto exportador situado a leste de Argel, na Argélia. Acompanhando o seu pai, Leonardo, passou alguns anos nessa cidade onde, ainda muito jovem, teve contacto com o mundo do comércio e aprendeu técnicas matemáticas, à época, desconhecidas no Ocidente e que haviam sido difundidas pelos estudiosos muçulmanos nas várias regiões do mundo islâmico.

Ao reconhecer que a aritmética quando suportada com algarismos arábicos, resultava muito mais simples e eficiente do que com os algarismos romanos, Fibonacci viajou por todo o mundo mediterrâneo e chegou até Constantinopla, para aí poder aprofundar os seus estudos com os matemáticos árabes mais importantes da época.

Em 1202, com 32 anos de idade, já em Itália, publicou o “Liber Abaci” (Livro do Ábaco ou Livro de Cálculo) onde apresenta o chamado “modus Indorum” (método dos hindus), hoje conhecido como o sistema dos algarismos arábicos. O livro mostrou a importância prática do novo sistema numeral, aplicando-o à contabilidade comercial, à conversão de pesos e medidas, ao cálculo de juros, às taxas de câmbio e outras aplicações.

O livro foi muito bem recebido em toda a Europa instruída e teve um impacto profundo no pensamento europeu. Este elegante sistema de sinais numéricos, em breve, substituiria o sistema de algarismos romanos.

A segunda edição do “Liber Abaci”, de 1228 foi largamente ampliada face à versão inicial, contém uma grande quantidade de assuntos relacionados com a Aritmética e a Álgebra da época e equaciona e resolve um problema que envolve o crescimento de uma população hipotética de coelhos, relacionando-o com o número de ouro Φ(Phi). A solução deste problema corresponde a uma sequência numérica que mais tarde ficou conhecida como número de Fibonacci.

Depois de 1228, não se tem mais notícias do matemático, exceto por um decreto da República de Pisa datado de 1240 que atribui (…) “ao sério e sábio mestre Leonardo Bigollo, em reconhecimento dos serviços prestados à cidade, particularmente em matéria contábil e na instrução dos cidadãos” (…), um valor pecuniário considerável. Fibonacci morreu alguns anos mais tarde.

No século XIX, foi erguida uma estátua em Pisa em sua homenagem e que hoje está localizada na galeria ocidental do Camposanto, cemitério histórico situado no principal espaço público da cidade italiana de Pisa.



A sequência de Fibonacci e o Número de Ouro

O número de ouro, também conhecido pela letra grega Φ (Phi) e, representado pelo número 1,618, tem fascinado intelectuais e estudiosos de diferentes áreas de conhecimento, há pelo menos 2.400 anos. Não se sabe ao certo a data da sua descoberta, mas um dos registos mais antigos do seu estudo e utilização situa-se no século V a.C e é da autoria de um dos maiores matemáticos de todos os tempos, Pitágoras.

Pelos indícios históricos existentes, é razoável supor que este número tenha sido descoberto e redescoberto diversas vezes, o que explica também a circunstância dele ser conhecido por vários nomes: proporção áurea, número de ouro, número áureo, proporção dourada, razão áurea, razão de ouro, divina proporção, proporção em extrema razão, divisão de extrema razão, ou, simplesmente, Φ (Phi).

Indiscutível é que, ao longo dos tempos este intrigante número foi fascinando gerações e gerações de grandes pensadores. Frequentemente a proporção de 1,618 era utilizada não só por grandes matemáticos, como Pitágoras ou Euclides; como também na arquitetura de antigas civilizações maias no deserto do norte do México; assim como na psicologia, por Platão; na pintura, por Leonardo Da Vinci, Giotto ou Salvador Dalí; na música, por Bach, Mozart e Beethoven; na literatura, por Homero.

Porém, foi Leonardo Fibonacci quem mais (e arriscamos dizer, melhor) a soube utilizar. A contribuição de Fibonacci para o número de ouro surgiu com um estudo que ele efetuou sobre o crescimento de uma população de coelhos. O matemático percebeu que a sequência formada pelos números de filhos gerados mês a mês (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377...) era o resultado da soma dos dois anteriores. E mais: dividindo um número pelo anterior obtinha-se resultados que convergem para o número de ouro, 1,618 ou 61,8%.

Leonardo então concluiu que a razão de 1,618 não só representava uma constante de crescimento de cada ninhada de coelhos, como também era uma constante universal de crescimento e evolução da natureza.

Ou seja; A Sequência de Fibonacci consiste numa sucessão de números inteiros, tais que, definindo os dois primeiros números da sequência como 0 e 1, os números seguintes serão obtidos por meio da soma dos seus dois antecessores. Portanto, os números são: 0,1,1,2,3,5,8,13,21,34,55,89,144,233,377,610,987,1597,2584,4181... Se agora dividirmos os números da sequência pelos seus sucessores, ou seja: 1/2, 2/3, 3/5, 5/8, 8/13, 13/21, 21/34, 34/55, 55/89...; a partir da 7ª interação, como por um desígnio transcendente, encontramos ad-infinitum o exato número 0,618...

Em termos matemáticos, a sequência é definida recursivamente pela fórmula abaixo, sendo o primeiro termo F1= 1:



e valores iniciais



E nesta sequência, sempre que se divida qualquer número pelo imediatamente anterior extrai-se a razão (Phi = 1,618) que é uma constante, conhecida como número de ouro ou proporção áurea. Voltando ao problema a que Fibonacci pretendeu dar solução e que consiste no cálculo do crescimento de uma população idealizada (não realista biologicamente) de coelhos, o esquema apresenta o número de casais na referida população.


Esta representação ilustra o crescimento populacional de coelhos, assumindo os seguintes pressupostos:
No primeiro mês nasce apenas um casal;
Os casais reproduzem-se apenas após o segundo mês de vida
Não há problemas genéticos no cruzamento consanguíneo
Todos os meses, cada casal fértil dá à luz um novo casal
Os coelhos nunca morrem

Esta sequência de Fibonacci aparece em configurações biológicas presentes na natureza, como por exemplo, a disposição dos ramos/galhos das árvores, no desenho do ananás ou da alcachofra.


Em música os números de Fibonacci são utilizados para a afinação dos instrumentos musicais, tal como nas artes visuais para determinar proporções entre elementos formais. Um outro uso interessante, meramente coincidente ou não, da sequência de Fibonacci aplica-se à conversão de milhas em quilómetros.

Para saber aproximadamente a quantos quilómetros correspondem 5 milhas, considera-se este número na sequência de Fibonacci que em milhas corresponderá ao número seguinte: 5 milhas são aproximadamente 8 quilómetros. Com efeito, o fator de conversão entre milhas e quilómetros é de 1.609, ou seja, muito próximo do φ(1.618).

A sequência de Fibonacci tem sido igualmente utilizada em projetos de arquitetura.


A representação gráfica desta sequência numérica transforma-a em quadrados dispostos geometricamente que tornam possível traçar uma espiral perfeita, que nos aparece igualmente em diversos organismos vivos.


Girasol - As suas sementes preenchem o núcleo do girassol, dispostas em dois conjuntos de espirais: geralmente, 21 no sentido dos ponteiros do relógio e 34 no sentido inverso


Pinha - Também aqui o crescimento das sementes origina duas espirais: 8 irradiando no sentido dos ponteiros do relógio e 13 no sentido contrário.


Concha do caramujo - Cada novo segmento tem a dimensão equivalente à soma dos 2 segmentos anteriores.


Apesar de ter origem desconhecida, a omnipresença universal do número de ouro φ é um facto absolutamente surpreendente.

Tanto na natureza como em obras realizadas pelo homem, a proporção 1,618 é facilmente encontrada no comportamento dos átomos, nas espirais das galáxias, na refração da luz, nas ondas do oceano, nos furacões, no crescimento das plantas, nas escamas dos peixes, nas proporções do corpo humano, na arte, na literatura, na música, na arquitetura e até nas oscilações dos preços do mercado financeiro.

A teoria de Elliott

O comportamento dos mercados financeiros desde muito cedo suscitou interesse e estudo dada a sua volatilidade e o seu caráter “caprichoso”. Com o objetivo de diminuir os riscos dos investimentos e identificar potenciais momentos para a realização de lucro, vários analistas se têm especializado no estudo do comportamento das cotações das ações sendo que o norte-americano Ralph Nelson Elliott (1876–1948) foi um dos pioneiros no desenvolvimento de trabalhos de análise financeira.

Ao estudar o histórico das cotações para daí retirar ilações sobre o comportamento do mercado de ações da Bolsa de Valores de Nova Iorque no início do século passado, Elliott concluiu que as flutuações da bolsa não eram aleatórias. Reconheceu que a variação dos preços se comportava de modo cíclico, formando padrões que se iam repetindo obedecendo a uma tendência uniforme. Segundo a teoria desenvolvida por Elliott, um ciclo padrão de tendência de mercado pode ser graficamente representado por oito ondas bem definidas e cada uma delas é formada por grupos menores de ondas que reproduzem o mesmo padrão.


A quinta onda finaliza um período de otimismo, identificado pelo conjunto das ondas numeradas de 1 a 5. Nesse período, as pequenas baixas (potenciais perdas) são superadas por significativas altas (potenciais ganhos) no preço das ações. Porém a partir desse momento tem início um período de queda sustentada no preço das ações, identificado por três ondas, sinalizadas no gráfico pelas letras a, b e c. Durante este período, os ganhos não vão nunca chegar a atingir o pico registado no período anterior.

Além deste padrão gráfico, Elliott investigou uma “medida” para o ciclo de repetição das ondas, recorrendo à Matemática. Como resultado, ele conseguiu encontrar relações entre o comportamento do mercado e a sequência de Fibonacci.

Num enunciado genérico, a Teoria das Ondas de Elliott diz que a razão entre um pico (alta de preços) e um vale (queda dos preços) do gráfico tende a apresentar um valor aproximadamente igual à razão entre dois números sucessivos da sequência de Fibonacci: (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, ...).

Nessa sequência a razão entre um número e o seu antecessor, a partir do 5º termo (Elliott relaciona esse fato às 5 ondas), é um valor próximo a 1,618, ou seja ao φ número de ouro:




No mercado acionista, a Teoria de Elliott tem sido discutida e aplicada ao longo do tempo, por alguns analistas técnicos da área, para orientar investidores a tomar decisões, ao inferir em que fases das ondas o mercado atual está situado e qual a tendência futura.

Existem hoje várias teorias robustas de análise técnica. No entanto, praticamente todas partem de um fato indiscutível: o comportamento do mercado financeiro é cíclico e segue uma tendência de padrões entre as baixas e as altas dos preços das ações. Mesmo com todas as atuais ferramentas disponíveis no mercado, a sequência de Fibonacci continua a ser a mais credível dada a sua simplicidade na identificação de momentos de entrada, momentos de saída e alertas de perigo.

Fibonacci acreditava que para tudo existe uma reação: a uma impulsão segue-se sempre uma correção (ainda que) parcial. O que Fibonacci fez foi essencialmente estudar essa correlação. Para tal criou números e uma sequência que levou o seu nome, que pode ser encontrada em diversos fenómenos da natureza e em inúmeras criações humanas e foi utilizada por Ralph Nelson Elliott para sua teoria das ondas que ainda hoje é utilizada na análise gráfica do mercado de ações.

Fonte: Newsletter do ActivoBank

Carta de uma mãe aos filhos no primeiro dia de escola...



Queridos filhos,

Hoje é mais um dia importante. É o que nos dizem sempre. Ir para a escola é importante, aprender é importante, crescer é importante. Só não percebo porque é que cada vez que vos tenho de levar à escola sinto que deixo de fazer um bocadinho a minha parte de mãe. Sinto que posso não vos estar a levar pelo caminho que gostava.

E digo isto porque a escola é cada vez mais "só" a escola. Programas, metas curriculares, testes e exames nacionais. Quadros de honra. Trabalhos de casa, trabalhos de férias. É como começar uma corrida, carregados com uma mochila cheia de livros (os da disciplina, os de fichas intermédias, os de fichas de avaliação, os dicionários, a tabuada...) em que o que interessa é chegar à meta o mais depressa possível. Não se pode abrandar o ritmo, nem pousar a mochila para descansar. Se perdermos tempo a ajudar alguém já não se chega nos primeiros lugares, e muito menos podemos, pelo caminho, apreciar a paisagem. Não há danças, brincadeiras e distracções, é sempre em frente e com a maior velocidade possível. São permitidos cerca de 10 minutos para repôr energias mais depois é preciso continuar.

Quando é que acaba esta corrida, perguntam vocês?

Eu respondo: não sei.

Não sei, porque se somos todos educados neste espírito de competição e num ritmo desenfreado, se não aprendemos a parar, a apreciar a natureza, se não temos tempo para brincar, conversar com os outros, então muito provavelmente, esta corrida vai durar toda a vida.

Vamos estar sempre a correr para qualquer coisa, para sermos os melhores: os melhores empregados, os melhores chefes, os que têm os melhores carros, as melhores casas. Os que são os primeiros a ter o novo iPad e iPhone. Os dias passam num instante, as estações do ano sucedem-se sem nos apercebermos muito bem delas, os anos passam a voar. Quando, finalmente, temos tempo para parar, já nos custa a andar e a ver, o nosso cabelo já se tornou grisalho e não sabemos bem como é que a vida nos passou ao lado.

Por isso, queridos filhos, ir para a escola é importante. Aprender é importante.

Mas não se limitem às metas curriculares, não queiram ser os primeiros no quadro de honra.

Acima de tudo, aprendam a ser felizes. A conversar com os amigos. A fazer rodas e a cantar. A olhar para as árvores e as flores e perceber como mudam com as estações do ano. Sejam educados com todas as pessoas, sejam simpáticos, ajudem quem precisa. E não, a mãe não vai ficar zangada se se enganarem nas fracções que são ensinadas antes de tempo, ou se os testes nacionais não correrem assim tão bem. E prometo que vamos todos, em família, fazer tudo para abrandar o ritmo. Para vos ir buscar cedo, não para vos levar a mil-e-uma actividades extra curriculares, mas para irmos ao parque dar milho aos pombos ou andar no baloiço, para passearmos de mão dada pela nossa aldeia, para visitarmos os amigos ou para vos ensinar a fazer a sopa para o jantar. E sim, para isso os pais precisam de trabalhar menos, e provavelmente teremos menos iPads, menos roupa de marca, menos viagens. Mas, prometo-vos, vamos ser muito mais ricos. 

Que seja um bom ano, que sejam felizes,

a mãe.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Crónicas (1) - António Lobo Antunes - Ontem


A quimio, muito dura de facto, foi tremenda. Felizmente, depois de dois ou três dias de um mal estar enorme eu conseguia escrever. Aguentei. Sabe Deus como aguentei. As enfermeiras do Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria ajudaram-me muito.


Ontem fui à consulta de Oncologia do Hospital de Santa Maria e devo possuir de facto a saúde de aço que me dizem que tenho: aos oito meses entrei subitamente em coma com uma meningite. Os meus pais eram então muito novos, com vinte e tal anos, ele era médico havia pouco tempo e estava em Lagos, com a mulher e o garoto, a fazer a tropa num quartel qualquer. Imagino a angústia que foi viajar de Lagos até Lisboa, sem automóvel, com poucos comboios e um bebé em coma nos braços. Lagos-Faro e depois Faro- -Lisboa, o que significou quase um dia de viagens ronceiras e esperas com o seu menino a morrer. Ao chegarem levaram-me directamente para o Hospital de Santa Marta, nessa época o hospital escolar, e foi o meu pai quem me enfiou uma agulha na espinha

(chama-se a isso punção lombar)

para, retirando-me líquido e examinando-o depois ao microscópio, saber qual era o micróbio que me estava matando. É necessário uma coragem excepcional para fazer isto ao próprio filho. O meu pai examinou o líquido ao microscópio, encontrou meningococos, falou com o professor de Pediatria e, pelo que me contaram, começou a dar-me injeções na barriga. O irmão do meu pai morreu mais ou menos com a idade que era a minha então e ele tinha isso bem presente, enquanto o meu avô prometia a Santo António levar-me a fazer a primeira comunhão a Pádua no caso de me salvar. A minha mãe contava que pouco depois do início do tratamento comecei a palrar e a sorrir. Lembro-me com uma nitidez absoluta da ida a Pádua, do meu avô me mandar colocar a mão no túmulo do Santo, de colocar a sua ao lado da minha, e das lágrimas

(nunca o vira chorar nem tornei a vê-lo chorar)

que lhe desciam pela face. Como se isto não fosse suficiente aos três anos adoeci de tuberculose. Havia um vizinho tuberculoso e parece que eu gostava muito dele e passava o tempo a fugir para lá. Da tuberculose recordo-me. Dos inumeráveis dias da cama, das minhas tias aflitíssimas porque eu não comia e de um mal-estar e uma impaciência constantes. Também me salvei e existe em mim, inabalável, a convicção que Santo António deu uma mãozinha nesse assunto. Quem quiser que faça troça de mim por julgar assim: estou-me bem cagando. Acho que o Santo não se zanga que eu use esta expressão, ele que não era para graças, como também não era por acaso que São Francisco de Assis o tratava por “meu santo bispo”, expressão que não se conhece haver usado com mais ninguém. Depois as coisas foram andando, como andam sempre mesmo que fiquemos parados, até que há mais ou menos dez anos, estava eu no México para receber o prémio Juan Rulfo e comecei a deitar sangue pelo rabo e a ter diarreia. O meu editor espanhol achava que era aquilo a que os mexicanos chamam “a vingança de Montezuma”, mas eu sentia-me cada vez mais fraco e o sangue continuava. Já em Portugal a Leonor, minha amiga e meu Anjo da Guarda, insistia que eu fizesse uma colonoscopia, depois de haver tentado, sem resultado, um ou dois antibióticos e eu, ciente de que era um cancro, resistia por puro medo, escondido atrás da tal vingança de Montezuma, de hemorróidas, de mais desculpas cobardes, até que o sofrimento me obrigou a aceitar. Mal acordei da sedação perguntei

– Tiraram-me as hemorróidas?

resposta

– Não são hemorróidas

pergunta

– Então o que é que eu tenho?

resposta

– Um cancro

e eu, já não pergunta, pedido

– Chamem o Henrique

ou seja o Professor Henrique Bicha Castelo a quem quero como a um irmão e ele veio. Já não saí do hospital e na manhã seguinte estava na sala de operações. Antes de entrar senti que me apertavam a mão. Era o Henrique e não imaginam o que estar de mão dada com ele representou para mim. Henrique, sabes o amor e a gratidão que te tenho e nunca poderei pagar. Foi uma intervenção difícil e um pós-operatório horrível: noites e noites, sempre cheio de tubos, a olhar a janela na certeza que a manhã me viria salvar. Não me salvou de nada. Passei dezoito dias tenebrosos no hospital, e depois radioterapia, e depois quimioterapia, tratado por um médico e homem excepcional, o Professor Luís Costa. Depois exames de três em três meses, depois exames de seis em seis meses, o calvário habitual e aqueles dois homens com a ajuda de Santo António, curaram-me. Mas, como eu fumava, o Luís seguia de olho em mim e numa Tac a Professora Isabel Távora detectou-me um cancro em cada pulmão. O doutor Jorge Cruz

(vejam só a sorte que tenho em encontrar pessoas de qualidade)

operou-me: eram cancros diferentes, de um lado um espino-celular, do outro um tumor de small-cells que, quando eu era estudante, significava uma morte mais ou menos certa. O Professor Luís Costa disse-me

– Vou fazer-lhe quimio muito dura, se você aguentar fica curado

enquanto eu pensava que o pai da minha mãe morrera de um cancro no intestino, como o meu, e o pai do meu pai, o que me levou a Pádua, de um cancro no pulmão, ambos com exatamente a idade em que apareceram os meus. A quimio, muito dura de facto, foi tremenda. Felizmente, depois de dois ou três dias de um mal estar enorme eu conseguia escrever. Aguentei. Sabe Deus como mas aguentei. As enfermeiras do Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria ajudaram-me muito com a sua competência, o seu cuidado, a sua extraordinária correção, atrevo-me a dizer que com a sua amizade, a enfermeira-chefe, a Senhora Dona Clara, tratou-me com uma ternura de irmã, as pessoas que sofriam, na mesma sala, as mesmas fezes que eu, faziam-me sentir orgulhoso de ser português: eram extraordinárias de serenidade e coragem

(isso já eu encontrara na guerra)

e revoltava-me ver a gente do meu País tão mal tratada pelo Poder, pelos políticos, pelo teatro macabro da maior parte dos governantes, pela miséria em que o nosso Povo é obrigado a viver, e vive com infinita dignidade. Merecemos melhor que isto. Mas essa conversa fica para outra altura porque ontem fui à consulta de Oncologia do Hospital de Santa Maria. Os cancros desapareceram, as análises estão óptimas. Talvez consiga acabar o meu trabalho. Só necessito de mais quatro anos para isso, conforme deixei escrito na última crónica. E depois parafraseando um cenógrafo da televisão para os seus subordinados, pintem-me da cor que quiserem desde que seja azul.

In Visão de 01-09-2016